Início ● Projetos de Iluminação ● 8 Certificações sustentáveis para projetos luminotécnicos
A iluminação de um projeto nasceu para ser protagonista. Ela conduz o olhar, desenha percursos, valoriza texturas e cria atmosferas que contam histórias nos espaços. Quando esse projeto luminotécnico incorpora critérios de sustentabilidade, ele deixa de ser apenas eficiente e esteticamente interessante para se tornar também um gesto consciente em relação ao ambiente e ao futuro das cidades.
Para quem atua com interiores e projetos luminotécnicos, entender como essas certificações funcionam, quais critérios avaliam a iluminação e de que forma elas podem ser incorporadas ao conceito arquitetônico é um caminho poderoso para elevar o nível da entrega. Assim, o projeto deixa de falar apenas de estética e dialoga com valores, propósito e responsabilidade.
Pensando nisso, a Decor Lumen reuniu neste guia uma visão completa sobre certificações sustentáveis aplicadas à iluminação: dos principais selos de sustentabilidade aos impactos no dia a dia do projeto, passando pela escolha da certificação ideal e pelos pontos de atenção na especificação luminotécnica.
O que são certificações sustentáveis?
As certificações sustentáveis são sistemas de avaliação criados para reconhecer projetos que adotam práticas responsáveis ao longo de todo o ciclo de concepção, construção e operação.
Elas funcionam como guias que orientam escolhas mais conscientes — desde a seleção de materiais até o desempenho energético, passando por critérios de conforto, bem-estar e eficiência luminosa. Dessa forma, ajudam profissionais a transformar intenções em ações consistentes e alinhadas ao cenário contemporâneo da arquitetura.
Ao contrário do que muitos imaginam, essas certificações não se limitam a edifícios de grande porte. Elas têm ganhado espaço em residências, lojas, restaurantes, escritórios e diversos tipos de interiores. E fazem isso porque oferecem parâmetros claros que elevam o padrão dos projetos, ampliam a percepção de valor e demonstram compromisso com práticas que beneficiam pessoas e meio ambiente.

Certificações sustentáveis aplicadas a projetos luminotécnicos
As certificações sustentáveis podem variar em critérios, abrangência e enfoque, mas todas avaliam o desempenho luminotécnico de alguma forma, seja pela eficiência, pela qualidade do ambiente interno ou pela relação entre luz natural e artificial.
1. LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)
O LEED é uma das certificações mais reconhecidas globalmente e traz uma abordagem ampla para avaliar eficiência energética, qualidade do ambiente interno e impacto ambiental de edificações. No âmbito da iluminação, o selo considera parâmetros que envolvem desempenho energético, redução de ofuscamento, distribuição luminosa, controle automatizado e uso adequado da luz natural.
Em projetos que buscam o LEED, a iluminação precisa dialogar com estratégias de eficiência, como o uso de luminárias de alto desempenho, sensores de presença, dimerização e sistemas inteligentes que equilibram o consumo. Além disso, a certificação também avalia a mitigação da poluição luminosa, especialmente em áreas externas.

2. WELL Building Standard
Entre as certificações que mais cresceram nos últimos anos, o WELL se destaca por valorizar a saúde e o bem-estar dos usuários. Sua abordagem considera como o ambiente impacta funções biológicas, conforto e experiência de uso, e a iluminação desempenha um papel central nesse contexto.
Aqui, não se trata somente de níveis de iluminância ou eficiência energética, mas de como a luz influencia o corpo e a mente ao longo do dia. No WELL, a iluminação é analisada sob parâmetros que envolvem ritmo circadiano, consistência cromática, controle de ofuscamento e qualidade perceptiva.
Isso significa adotar fontes de luz que favoreçam foco e relaxamento conforme o momento do dia, explorar temperaturas de cor coerentes com a proposta do ambiente e garantir índices elevados de reprodução de cor.

3. BREEAM
O BREEAM é uma certificação amplamente utilizada na Europa e reconhecida mundialmente por sua metodologia detalhada de auditoria de edifícios. Ele avalia a sustentabilidade a partir de categorias como gestão, energia, saúde, bem-estar e inovação.
No que diz respeito à iluminação, o BREEAM estimula o uso de estratégias que elevem a eficiência energética, reduzam a poluição luminosa e proporcionem ambientes visuais confortáveis. Na prática, isso inclui adoção de luminárias eficientes, boas práticas de distribuição luminosa e sistemas de controle que ajustam o uso conforme a presença e a luz natural disponível.
A certificação também dá bastante atenção às áreas externas, incentivando soluções que minimizem dispersão de luz para o céu noturno e para áreas adjacentes.

4. AQUA-HQE
O AQUA-HQE é amplamente utilizado no Brasil e é conhecido por seu foco no conforto ambiental, desempenho operacional e gestão responsável dos recursos. Ele propõe uma abordagem que considera bem-estar, eficiência e integração harmoniosa entre os sistemas do edifício — e a iluminação se conecta a todos esses princípios.
Dentro dessa certificação, aspectos como uniformidade luminosa, controle de brilho, aproveitamento da luz natural e qualidade perceptiva ganham destaque. A escolha de luminárias eficientes, sistemas de comando adequados e soluções que equilibram luz natural e artificial são essenciais para garantir boa pontuação.

5. Selo Procel Edificações
O Selo Procel Edificações é referência quando o assunto é desempenho energético no Brasil. Ele classifica edificações de acordo com sua eficiência, e a iluminação tem papel determinante nessa análise.
Por isso, projetos que buscam a certificação precisam priorizar fontes de luz eficientes, sistemas automatizados e estratégias que reduzam o consumo sem comprometer a qualidade do ambiente.
A especificação de luminárias LED, controles de presença, dimerização e boas práticas de distribuição luminosa fazem parte do caminho para alcançar uma classificação elevada.

6. Selo Casa Azul Caixa
Voltado a empreendimentos habitacionais, o Selo Casa Azul Caixa avalia sustentabilidade sob aspectos sociais, econômicos e ambientais. No que se refere à iluminação, ele incentiva soluções que elevam o conforto, reduzem consumo e qualificam áreas de convivência, circulação e uso diário.
Projetos alinhados ao Casa Azul consideram iluminação eficiente em áreas comuns, luminárias LED de alto desempenho, sensores de presença em espaços de fluxo intermitente e atenção redobrada à luz externa.

7. EDGE – IFC/World Bank
O EDGE foi desenvolvido pelo IFC/World Bank com foco na redução de consumo energético, hídrico e de materiais. É uma certificação prática e direta, que valoriza soluções simples e eficientes — e a iluminação aparece como um dos fatores que mais influenciam o consumo total de um edifício.
No EDGE, a meta é reduzir o uso de energia por meio de luminárias eficientes, melhor aproveitamento da luz natural e integração com sistemas de controle.

8. Dark Sky Certification
A certificação Dark Sky tem uma abordagem diferenciada: seu foco está em combater a poluição luminosa e preservar o céu noturno. Por isso, ela se aplica principalmente a projetos externos, áreas públicas, edificações turísticas ou empreendimentos próximos a reservas ambientais.
O objetivo é utilizar luz com responsabilidade, controlando a dispersão luminosa, direcionando o fluxo apenas para áreas necessárias e optando por temperaturas de cores menores. A certificação incentiva o uso de luminárias com recortes precisos, fachos bem definidos e mínima interferência na fauna local.

Como escolher a certificação sustentável ideal para seu projeto
A escolha da certificação adequada depende de uma análise cuidadosa sobre o perfil do projeto, seus objetivos e as expectativas do cliente.
Para te ajudar nessa escolha, aqui vão alguns pontos importantes para se atentar:
Variáveis que influenciam a escolha
A escolha da certificação sustentável ideal depende de uma análise cuidadosa da tipologia da edificação, do orçamento disponível e das prioridades estabelecidas pelo cliente. Projetos residenciais, comerciais ou corporativos apresentam necessidades diferentes e, por isso, dialogam melhor com selos específicos.
Além disso, é importante compreender as metas de desempenho sustentável que se deseja alcançar — seja eficiência energética, maior bem-estar ou valorização imobiliária — para selecionar uma certificação que realmente faça sentido para o contexto do projeto.
Comparação entre as certificações
Comparar certificações significa entender que cada uma trabalha com focos distintos, indicadores específicos e níveis variados de exigência.
O LEED, por exemplo, avalia categorias amplas e trabalha com pontuações acumulativas, enquanto o WELL direciona seus critérios para saúde e bem-estar.
Já o EDGE se apoia em reduções mensuráveis de energia, e o BREEAM analisa processos operacionais com bastante profundidade. Ao observar essas diferenças, fica mais fácil identificar qual selo traduz melhor os objetivos estratégicos do projeto.
Etapas para adequação luminotécnica
A adequação luminotécnica às certificações acontece em etapas que estruturam o processo com clareza. Tudo começa com um diagnóstico inicial que avalia as condições do edifício, suas demandas e o potencial de eficiência. Em seguida, entram simulações e cálculos que ajudam a prever níveis de iluminância, distribuição da luz e desempenho energético.
A última etapa envolve a documentação, responsável por comprovar as escolhas adotadas e garantir a transparência necessária durante o processo de certificação.
Como garantir que seu projeto atenda aos critérios das certificações
Garantir que um projeto luminotécnico atenda aos critérios das certificações sustentáveis exige olhar estratégico desde as primeiras etapas de concepção.
Acompanhe a seguir o que observar:
Práticas recomendadas para eficiência luminosa
As práticas que aproximam o projeto luminotécnico dos critérios das certificações começam pela escolha das fontes de luz. Priorizar luminárias de alta eficiência, com fluxo adequado e bom índice de reprodução de cor, cria uma base consistente para desempenho energético e qualidade visual.
Em seguida, como a luz é distribuída no ambiente, ganha protagonismo: um layout bem-planejado evita excessos, reduz sombras indesejadas e garante conforto nas áreas de permanência e circulação.
Além disso, a adoção de sistemas de controle faz toda diferença. Sensores de presença, dimerização e comandos integrados à automação permitem ajustar a luz às necessidades reais de uso, reduzindo desperdícios ao longo do dia.
Estratégias de iluminação natural
A iluminação natural é uma aliada poderosa das certificações e, quando bem aproveitada, redefine como o projeto consome energia e oferece conforto visual.
O primeiro passo é entender a orientação do edifício, a incidência solar e o comportamento da luz ao longo do dia. A partir disso, entram em cena elementos como brises, cortinas, peles de vidro adequadas e recuos que filtram a luz, controlam o brilho e evitam ofuscamento.
A integração entre luz natural e artificial também é essencial. Quando o sistema artificial é pensado para complementar, e não competir com a luz que vem de fora, o ambiente se torna mais equilibrado e agradável.
Tecnologia e inovação aplicadas à iluminação sustentável
A tecnologia é uma grande aliada na hora de traduzir os critérios das certificações em soluções concretas. Sistemas LED de alta performance oferecem eficiência, longa vida útil e excelente qualidade de luz, favorecendo tanto o desempenho energético quanto a percepção estética dos ambientes.
Além disso, plataformas inteligentes permitem monitorar consumos, criar cenas de iluminação, programar horários e integrar diferentes sistemas prediais em uma mesma lógica de operação. Recursos baseados em Internet das Coisas aproximam ainda mais o projeto de uma gestão fina da iluminação.
Benefícios da certificação ambiental em projetos luminotécnicos
Conquistar uma certificação ambiental em um projeto luminotécnico vai muito além de um selo na apresentação do empreendimento.
Credibilidade e certificação do empreendimento: a certificação ambiental funciona como uma chancela independente que comprova o atendimento a critérios rigorosos de desempenho;
Valorização imobiliária: empreendimentos com certificações sustentáveis tendem a ser percebidos como mais qualificados, atuais e alinhados às exigências contemporâneas;
Redução de custos operacionais: um projeto luminotécnico pensado com foco em eficiência, automação e uso inteligente da luz reduz o consumo de energia ao longo da operação;
Conforto e bem-estar: a certificação ambiental também traduz um cuidado com a qualidade da luz e com a experiência do usuário.
Projetos luminotécnicos precisam de certificação ambiental?
Não. A certificação é opcional, mas torna-se um diferencial competitivo e técnico significativo, sobretudo em projetos que buscam eficiência, qualidade perceptiva e valorização imobiliária. Ela funciona como uma validação externa de escolhas reforça o compromisso com uma arquitetura consciente e bem planejada.
Iluminação externa também é avaliada pelas certificações?
Sim. Selos como LEED, BREEAM e Dark Sky avaliam a iluminação externa com atenção redobrada, já que ela influencia segurança, consumo energético e poluição luminosa. Direcionamento correto, controle de fachos e escolha de temperaturas de cor adequadas são essenciais para atender aos requisitos.
Esperamos que este guia tenha sido útil para tirar suas dúvidas sobre as certificações sustentáveis em projetos luminotécnicos. Caso queria continuar aprimorando seus conhecimentos sobre o assunto, elia também nosso guia completo sobre projetos de interiores e descubra dicas valiosas para seus próximos trabalhos.


